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domingo, 14 de junho de 2009

Peso / Leveza

Milan Kundera escreveu no livro A Insustentável leveza do ser:

“Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é. Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes. Que escolher, então? O peso ou a leveza?”

“Pode sempre explicar-se o drama de uma vida através de uma metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos com esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos.”

A balança pendeu sempre mais para um dos lados. Nem sequer é difícil perceber qual. Mesmo assim, quando olho para trás sinto uma certa leveza. A leveza do peso que já passou.
Neste momento, impõe-se o jogo da paciência, de conhecer e respeitar as minhas próprias limitações, mas posso dizer que a recuperação, apesar de lenta, está no caminho certo. Um sinal disso, é que as consultas semanais passaram agora a ser quinzenais.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Anúncio Oficial

Os senhores do Serviço de Unidade de Transplantação de Medula óssea do IPO do Porto, que são seguidores acérrimos deste estaminé, não ficaram indiferentes ao meu pedido e eis que me ligaram para me informarem que na próxima segunda feira a minha vida vai deixar o modo pause... Eu bem que desconfiava que eram eles os detentores do comando... O nervoso miudinho está a começar a tomar conta de mim e geralmente descamba para a parvalheira...
Agora um bocadinho, mas só um bocadinho mais a sério, tenho um fim de semana prolongado para gozar, para pôr as ideias no lugar, para fazer as malas (uma mala cheia de pijamas, note-se), para escolher os livros e dvd´s que me irão fazer companhia entre quatro paredes e, acima de tudo, para ganhar coragem...
E se estivessem no meu lugar, com 3 dias para aproveitar antes de um assustador auto-transplante, o que fariam? Aceitam-se sugestões!

Vida em Pause

A minha vida está em pause. Não encontro o comando. Já revistei a casa, os sofás e nada. Não sei onde o deixei. Se alguém o encontrar, por favor carregue no play. Aliás, preferia que clicassem no forward. É isso.

domingo, 26 de abril de 2009

Bilhete Postal


Sempre que posso regresso aqui, a ti, uma e outra vez.
Conheço cada recanto teu, sei contornar os teus labirintos, as tuas correntes e contra-correntes. Já te fotografei dos mais diversos ângulos. És o meu farol nas noites em que a escuridão é maior. O confidente silencioso dos dias cinzentos. Gosto de ti ao luar, dessa tua melancolia pitoresca. Assim como gosto da luz com que brindas os veraneantes e da tua perfeita simbiose azul/verde.
Talvez te tenha idealizado.
Debruço-me sob a varanda do tempo e o inesperado efeito flashback devolve-me lembranças daquilo que fomos... Numa espiral de emoções.
Mudei, mudámos, mas nada consegue quebrar o facto de tudo isto fazer parte de mim por inteiro.