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quinta-feira, 4 de junho de 2009

+ Barcelona


O filme Vicky Cristina Barcelona fez-me lembrar outras estórias que, se calhar, já todos ouvimos de amigas que embarcam numa viagem rumo à aventura, à loucura, ao desconhecido. Depois há o cenário dessa incrível cidade, Barcelona. Há também a complexidade das relações humanas, os diferentes conceitos em relação ao amor, o dilema entre as emoções e a consciência, as deambulações entre o mundo das artes e da boémia... E no final das férias Vicky e Cristina regressam às suas vidas, com muitas recordações na bagagem...

domingo, 10 de maio de 2009

Blindness / Ensaio sobre a Cegueira

Li o livro “Ensaio Sobre a Cegueira” por volta do ano 2000 e recordo-me bem deste facto, porque anteriormente tinha-me debatido para conseguir ler o “Memorial do Convento”, sem grande sucesso. O “Ensaio sobre a Cegueira”, pelo contrário, conquistou-me facilmente e logo nas primeiras linhas a curiosidade ficou ali a pairar. Depois outros se lhe seguiram, como “A Caverna”, “O Homem Duplicado”, “Ensaio sobre a Lucidez” e, mais recentemente “As Intermitências da Morte”.




Do livro que li há 9 anos atrás, recordo-me de uma história intrigante que começava com uma súbita epidemia de cegueira colectiva. Recordo-me do período de quarentena, das limitações do ser humano para realizar as tarefas mais básicas, dos que se aproveitaram desta situação para revelarem o seu lado mais obscuro, mais cruel, ganancioso e violento. E aqui reside, talvez, a parte mais chocante do livro. Nós próprios sentimo-nos cegos e angustiados durante a sua leitura e a única coisa que nos liberta de todos os horrores, é o facto de estarmos a ser guiados pelas mãos corajosas e bondosas de uma mulher que não cegou (a mulher do médico) e que é a grande testemunha do caos e da desordem entretanto instalados. É ela que inspira confiança, é nela que depositamos as nossas esperanças.
O filme representa bem o livro. Gostei especialmente dos contrastes luz branca/sombra que o realizador incutiu em diferentes passagens. Pessoalmente, tratou-se de rever no ecrã algo que já havia mexido comigo e que, 9 anos depois, não me deixou indiferente.
É por estas e por outras que dou conta que estou a ficar velha. 9 anos...

sábado, 9 de maio de 2009

Slumdog Millionaire

Este filme é uma viagem à Índia, uma Índia profunda, distante e desconhecida aos meus olhos. Uma Índia preenchida por mil cores, pela vivacidade das crianças dos subórbios e pela música inebriante.
A história deste filme envolve-nos, também, no cenário do famoso concurso “Quem quer ser milionário?”.
Jamal poderia ter sido um concorrente como tantos outros. Poderia, mas não foi. Em primeiro lugar, porque acaba por surpreender tudo e todos com as suas respostas. São respostas que ele aprendeu ao longo da sua vida, da sua experiência nas ruas, fora dos livros e da escola. E em segundo lugar, porque a razão que o levou a concorrer está relacionada com a sua própria história de amor com Latika: rapaz conhece rapariga, desencontram-se, voltam a encontrar-se, separam-se e ele tem esperança...



“I knew you would be watching.”
“This is our destiny.”

É um filme que preenche o imaginário de quem acredita ser possível dar o salto e ascender a algo mais, contrariando as piores possibilidades e expectativas.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dupla Sedução



Cada vez temos mais dificuldades em confiar nos outros. Tornámo-nos oficialmente desconfiados. É-nos difícil desarmar à primeira, à segunda ou até mesmo à terceira. À mínima coisa damos por nós a ligar o “complicómetro”. Porque há aqueles que são calculistas, os que se julgam mais espertos, os que só conseguem desiludir, os que nada têm a perder, os que deixam feridas em aberto, os que se escondem por detrás das aparências, os que fazem jogo duplo. E depois há os que nunca aprendem, os que carregam decepções, os que se deixam levar, os politicamente correctos, os que ainda têm esperança, os que já a perderam e os que a reencontraram. Por vezes somos tudo isto, umas vezes de forma consciente, outras sem darmos por isso.
E moral da história: quem ri por último ri melhor.

Gran Torino



Há pessoas que vivem agarradas ao passado, pessoas que têm dificuldades em perceber este mundo vertiginoso das mudanças. Walt (Clint Eastwood) é uma dessas pessoas, com um passado sombrio que lhe pesa na consciência e com o hábito de cerrar os dentes para demonstrar o seu desagrado perante a indiferença dos seus filhos, o desprezo dos seus netos e a estranheza que a cultura dos seus vizinhos asiáticos lhe provoca. Refugia-se no seu alpendre, enquanto observa com atenção e amargura a descaracterização do seu bairro.
Poderíamos pensar que este é um filme sobre violência urbana, preconceitos, (in)tolerância, choque de culturas ou de gerações, mas o filme é surpreendentemente mais do que isso. Eu diria que é um filme sobre a nossa capacidade de adaptação e aprendizagem ao longo da vida, sobre amizade e respeito, sobre justiça e redenção, lembrando-nos que estamos sempre a tempo de mudar, de melhorar.

domingo, 22 de março de 2009

Nunca é Tarde Demais



Não compreendo porque ainda me tentas proteger. Conheço os impeditivos, mas não quero saber deles agora. Agora quero que me mostres as possibilidades, os caminhos, o lado bom, a liberdade, o riso, as estrelas, a magia do universo. Tenta compreender, este é o tempo que me resta, tempo para abraçar os sonhos, mesmo aqueles que achas ridículos. Não quero saber das aparências, nem o que os outros pensam. Pela primeira vez, estou a pensar em mim, só em mim. Egoísta, poderás dizer ou pensar sem o dizer. Por agora tanto faz, porque sei que um dia irás entender. Estas são as circunstâncias e quero aproveitá-las para largar as minhas raízes, pisar o desconhecido, enriquecer a alma e os sentidos, respirar a tranquilidade de uma nova paisagem, conversar sobre os momentos felizes e concentrar-me neles, enquanto esqueço tudo o resto. Porque tudo o resto é matéria dramática.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button


Há muito tempo que não tirava umas horinhas para ir ao cinema, mas nas vésperas do Carnaval aproveitei para ir ver O Estranho Caso de Benjamin Button.
Saí do cinema com o pensamento mergulhado nesta história invulgar, que fala sobretudo das pessoas e dos seus talentos, daquilo em que se aproximam e daquilo em que se distanciam, do ciclo da vida, da velhice, do fim dos dias, da verdade omitida durante anos e do amor. É um filme comovente, feito de memórias, como o desenrolar de um novelo.
Questionamos o que aconteceria se os ponteiros do relógio passassem a funcionar em sentido contrário, se em vez de acrescentarem segundos, minutos e horas, as retirassem? E se o ciclo de vida começasse pela velhice e acabasse na infância? E se a nossa aparência não coincidisse exactamente com o nosso espiríto?
Baseado no livro de F. Scott Fitzgerald, este filme é bastante longo (aproximadamente 3 horas), mas no final fiquei com a sensação que valeu a pena. De resto, os prémios atribuídos foram totalmente merecidos, porque a caracterização, os efeitos visuais e a direcção artística estão de parabéns.