Hoje aprendi que a ignorância pode ser uma grande aliada. Há primeira vista, numa sociedade marcada pelo conhecimento, esta constatação parece paradoxal. Somos impelidos a questionar, ainda que as respostas nos possam trazer mais dissabores do que propriamente consolações. Temos ao nosso dispôr um conjunto de informação que tanto nos pode ajudar a esclarecer as nossas dúvidas como pode ter o efeito contrário e perverso de nos prejudicar, porque nem sempre conseguimos distinguir uma fonte segura de uma distorcida.
A verdade é que, por vezes, é preferível não saber, parar de procurar e deixar as coisas acontecerem. Nas últimas semanas tenho ouvido alguns testemunhos de pessoas que já fizeram autotransplantes de medula óssea e, entre eles, destaco o do senhor M. porque me deixou impressionada. Este senhor não procurou informação e ainda hoje não sabe em que é que consistiu aquele procedimento que levou à remissão completa da sua doença. Para ele, o mais difícil foi o período de isolamento, sentir-se fechado entre quatro paredes durante três longas semanas, mas de resto não teve complicações de maior e ainda hoje está convencido que só levou soro, ignorando as altas doses de quimioterapia que recebeu.
Na minha cabeça já não é possível apagar a informação que tenho, mas parece-me que ir para autotransplante com este exemplo bem presente poderá ser a melhor maneira de enfrentar este “desafio”.
Há 9 anos